


| CEFALÉIA CRÔNICA DIÁRIA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES |
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| Escrito por Marcelo E. Bigal | |||
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INTRODUÇÃO As cefaléias, tanto em adultos como em crianças, são divididas em primárias (nas quais causa orgânica não é demonstrada) e secundárias (1). As cefaléias podem ainda ser divididas, de acordo com sua freqüência, em episódicas (< 15 dias de dor por mês) e crônicas (15 ou mais dias de dor por mês), cada uma delas subdivididas em de curta duração (< 4 horas por dia) ou de longa duração (4 ou mais horas por dia) (Figura 1) (2). Convencionou-se chamar as cefaléias de alta freqüência e curta duração de “Cefaléias Trigêmino-Autonômicas” (cefaléias em salvas, hemicranias paroxísticas episódica e crônica, SUNCT) (1). Já as cefaléias primárias de alta freqüência e longa duração são chamadas de cefaléias crônicas diárias (CCD), o tema deste capítulo. Portanto, a CCD não é uma cefaléia distinta, mas uma síndrome clínica que engloba 4 tipos de cefaléia primária. Em comum, todas têm duração maior ou igual a 4 horas por dia, durante ao menos 15 dias por mês, por mais de 3 meses (3). A CCD é uma das formas mais comuns de apresentação de cefaléia em clínicas terciárias, e atinge 4-5% dos adultos na população geral (4,5). A CCD também é importante entre crianças e adolescentes. Nos E.U.A., a prevalência populacional entre crianças e adolescentes é em torno de 3% (6). Embora repetido à exaustão, o conceito de Jean-Jacques Rousseau de que “crianças não são adultos em miniatura” é absolutamente verdadeiro no que diz respeito às CCDs. Se é certo que a maior parte dos adultos com CCD tem grande prejuízo de seu bem-estar e desempenho laborativo (7), crianças refletem esse impacto na atividade escolar, familiar e social (6,8). São freqüentemente estigmatizadas e desenvolvem comorbidades psicológicas secundárias à dor. Por serem difíceis de tratar, acabam, por vezes, gerando contra-transferência negativa por parte dos agentes de saúde. Freqüentemente não recebem tratamento adequado e desenvolvem abuso de analgésico, o que contribui para perpetuar o ciclo de dor. Entretanto, crianças não desenvolvem CCD gratuitamente. A CCD se desenvolve cedo na vida porque estes indivíduos ou são portadores de grande predisposição biológica (para CCD), ou estão expostos a estressores ambientais exuberantes - ou ambos. O tratamento da CCD, sendo esta uma doença refratária, certamente é desgastante para a equipe que assiste ao paciente. No entanto, é dos casos mais difíceis, que exigem conhecimento e arte, que vêm as maiores recompensas. Casos de CCD, ao apresentarem remissão, são recompensadores. Neste capítulo, daremos enfoque à CCD em crianças e adolescentes. Por ser uma síndrome menos estudada nestas faixas etárias, muitas das evidências descritas foram obtidas em estudos com adultos. As diferenças entre a CCD em crianças e adultos serão ressaltadas ao longo do texto. Iniciaremos pela caracterização da síndrome e seus subtipos. Prosseguiremos analisando a epidemiologia da CCD em adolescentes e as principais diferenças entre este grupo e adultos. Discutiremos em seguida a fisiopatologia da CCD, com destaque para a migrânea transformada, enfatizando as novas descobertas de pesquisa, que posicionam este subtipo de CCD como resultado da progressão da migrânea. Por fim, integraremos estas informações com a terapêutica, discutindo estratégias para a prevenção da CCD e protocolos para o tratamento da CCD já instalada. Figura 1. Algoritmo para classificação das cefaléias primárias com base na freqüência e duração da dor.CCD: cefaléia crônica diária; CNDP: cefaléia nova, diária e persistente; CTA: cefaléias trigêmino-autonômicas; CTTC: cefaléia do tipo tensional crônica; CTTE: cefaléia do tipo tensional episódica; HC: hemicrania contínua; HPC: hemicrania paroxística crônica; HPE: hemicrania paroxística episódica; MT: migrânea transformada. Clique no link ao lado e baixe o conteúdo completo para o seu computador
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CEFALÉIAS PRIMÁRIAS: TEORIA E PRÁTICA
Dr. Wilson Farias da Silva Prof. Titular e Docente Livre de Neurologia da UFPE
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