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INVESTIGAÇÃO COMPLEMENTAR E-mail
Escrito por Victor Farkas   

As cefaléias e as dores abdominais recorrentes são os quadros dolorosos mais freqüentes da criança (27). A cefaléia crônica recorrente ocorre numa alta freqüência, especialmente a partir da adolescência, e apresenta um amplo espectro de causas, desde os traumatismos cranianos às neoplasias cerebrais, passando pela migrânea e a cefaléia do tipo tensional.

A prevalência de cefaléia ao longo da vida varia de 31 a 96% (31, 57) e um mesmo paciente pode apresentar mais de um tipo de cefaléia.

As cefaléias primárias, principalmente a migrânea e a cefaléia do tipo tensional, são as causas mais freqüentes de cefaléia na infância, adolescência e vida adulta. Em um estudo recente com 1876 pacientes com cefaléia recorrente, 84% foram classificados em um desses dois grupos (65). A cefaléia do tipo tensional episódica (CTTE) é a cefaléia primária mais freqüente com taxa de prevalência anual de 38,3% e a forma crônica de 2,2% (77). Em um estudo holandês a prevalência de CTTE ao longo da vida foi tão alta quanto 78% (35).

A prevalência da migrânea e da CTT aumenta progressivamente da infância até a quarta década de vida para em seguida reduzir gradualmente.

A migrânea é relacionada pela Organização Mundial da Saúde como a 19a. doença que provoca maior incapacidade aos pacientes ao longo da vida (77).

Apesar das controvérsias sobre a aplicabilidade dos critérios dagnósticos nas cefaléias na infância, o diagnóstico das mesmas ainda baseia-se nesses critérios. Em 1988 a International Headache Society (IHS) elaborou a primeira edição da classificação e critérios diagnósticos para as cefaléias e algias faciais. O diagnóstico passou a ser definido através de critérios operacionais. O exame clínico-neurológico e os exames complementares serviam primariamente para a exclusão das cefaléias secundárias. Esta classificação estabeleceu critérios diagnósticos importantes para a prática clínica e para as pesquisas na área, no entanto, foram desenvolvidos com o foco nas cefaléias do adulto. Com o tempo vários estudos comprovaram a baixa sensibilidade desses critérios no diagnóstico da migrânea na infância, apesar de sua alta especificidade (8, 47).

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